Recrutamento e Seleção: um alerta ao
desfoque nacional.
É de certa forma complexo e, no
mínimo questionável, o que se vê nos processos de recrutamento e seleção de
pessoal, muitas vezes impostos pelas empresas ofertantes de vagas e que contam
com a conivência das agências responsáveis pelo recrutamento de
mão-de-obra.
Chega a ser risível a falta de
critério de algumas empresas quanto as exigências, qualificativos e predicados
exigidos aos candidatos a uma vaga de emprego.
Algumas empresas brasileiras ainda
não despertaram para o fato de que, muitas das vezes, o padrão colocado para
seleção de candidatos está fora da realidade regional, quiçá nacional. Não vêem,
essas empresas, que a maioria dos padrões de exigências se aplicariam muito bem
a profissionais de países de cultura mais desenvolvida.
Para um país como o nosso que ainda
detém o título de "País dos Bacharéis", exigir que candidatos tenham MBA,
Mestrado ou ainda Doutorado para exercer cargo de nível intermediário numa
determinada hierarquia organizacional, é pedir demais. Há que se considerar
que, possuir nível superior no
Brasil ainda é privilégio de poucos, apesar do título de País dos Bacharéis.
Para a maioria da população, chegar a ter uma especialização, então, é
ultrapassar o portal do paraíso. Poucos a conseguem e, na maioria dos casos, só
quando apoiados pelas empresas que investem na qualificação profissional de seus
empregados. Exigir, ainda, que o candidato fale dois idiomas, fluentemente, é no
mínimo pouco sensato num país em que poucos falam bem a língua pátria.
Encontramos ainda outra situação um
tanto quanto paradoxal: a experiência profissional. Exigir experiência
profissional de 10 ou 15 anos de um jovem de 35 anos - limite máximo de idade
para seleção de candidatos, uma vez que acima deste patamar o profissional
brasileiro passa a ser um excluído - é como buscar agulha num palheiro. Soma-se
à necessidade da experiência profissional, todo o conhecimento acadêmico, bem
como vivência internacional. Ainda associada a experiência, temos a idade. Entre
35 e 45 anos, o profissional é desconsiderado. Acima dos 45, então, além de
desconsiderado ele passa a ter o status de inservível, emprestável.
Longe de pensar que devemos entregar
nossas empresas à mãos pouco competentes, sem preparo, desqualificada. É
certo, e concordo, que tenhamos que ter executivos de excelente nível e que a
empresa busque o "the best" no
mercado - afinal, vivemos num mundo
de alta competitividade e despontará a empresa que tiver a melhor equipe e
conseguir os melhores resultados. É certo, e concordo, que em assim procedendo,
cria-se o estímulo necessário a qualificação, ao preparo para se enfrentar
os desafios. Longe de pensar que defendo a mediocridade e o nivelamento por
baixo. Porém, não podemos ter uma
visão míope da realidade. Não podemos pensar só por um lado. Se a empresa
necessita de bons profissionais, do outro, o do candidato, também deverá haver
compensações. Ele deverá ter a sua chance na medida que possa ter acesso ao
ensino, com preços à altura da sua receita mensal, já que hoje encontramos um
nível de salário aquém da capacidade de subsistência, para a grande maioria. Do
contrário, como poderá estar preparado para enfrentar a competição do mercado de
trabalho?
Cabe ainda comentar que, em muitos
recrutamentos e seleções de pessoal, a empresa está simplesmente copiando
modelos de perfis de candidatos de empresas multinacionais ou de padrão
internacional, cuja realidade do país sede ou dos seus dirigentes segue padrões
de vida e cultura bastante diferente do nosso.
Uma máxima da administração nos
remete ao entendimento de que, modelos administrativos e gerenciais não se
copiam. Quando muito, adaptam-se. Cada empresa tem sua cultura e hábitos
nacionais e/ou regionais. Por conseguinte, não há como fazer vista grossa para a
realidade. Não se pode perdê-la de vista.
Vejo que uma tomada de consciência
empresarial se faz necessária. Uma revisão dos perfis e exigências torna-se
urgente. Que sejam identificados os reais predicados dos candidatos as vagas e
não exigir, simplesmente, porque
constam nos manuais. Se preciso for, que sejam revistos os manuais.
Quem sabe as empresas de
recrutamento e seleção, em assim procedendo, consigam melhores resultados,
possam atender no menor tempo e com qualidade aos seus clientes e contribuam
para a diminuição das filas de desempregados.
Quem sabe as empresas desenvolvendo
projetos de qualificação para o recém contratado também não contribuam para a
redução do desemprego. A capacitação profissional é o melhor investimento que a
empresa faz para a melhoria do seu maior valor patrimonial - o colaborador
interno.
Mauricio Campos de
Menezes
Especialista em Adm Financeira e em
Auditoria e Gestão Financeira
Auditor, Consultor e Capacitador
Profissional
http://agms.sites.uol.com.br
- e-mail:
agms@uol.com.br