Auditoria, excelente ferramenta de

gestão para o administrador moderno

 

Há muito se fala que a auditoria numa empresa é dispensável por ser uma atividade meio e não uma atividade fim e, por conta disso, deixa de agregar valor.
Se partirmos do princípio de que todos os valores não gastos numa empresa podem ser vistos e entendidos como uma economia, então fica fácil de se admitir que aqueles que são evitados pelo trabalho de uma auditoria, na correção de procedimentos inadequados e incorretos, sejam igualmente considerados uma economia. Neste particular, a auditoria estará auxiliando a empresa a diminuir os custos decorrentes de desperdícios e ações operacionais impróprias. Conseqüentemente, o lucro tão almejado e muitas vezes visto à distância pelos administradores passa a ser uma realidade.
Até bem pouco tempo empresários ainda sustentavam a fixa idéia e a visão de que a auditoria só serve para pegar ladrão e/ou fraudador.
A isto se atribui o fato de que, por anos a fio ganharam espaço e se sustentaram no noticiário nacional, seja na imprensa falada, escrita ou televisada, fatos relacionados a irregularidades envolvendo empresas do setor público e privado.
É a partir daí que começa a existir, a meu ver, a grande discriminação a respeito da ação e atuação da auditoria nas empresas. A visão de uma estrutura policialesca, fiscalizadora ou de caçadora de vilões deixou de existir. A auditoria, nos moldes atuais deve ser vista como uma estrutura de assessora-mento e de auxílio à administração dos gestores modernos.
Deve ser vista como colaboradora que leva à alta administração dados e informações confiáveis e imparciais sobre todas as atividades da empresa, sejam de natureza administrativa, operacional ou de gestão.
A análise criteriosa dos controles internos e dos procedimentos de trabalho, aliada a sugestões de melhoria, aumenta sobremaneira o desempenho operacional, bem como a qualidade técnica dos serviços ou mesmo da produção.
À medida que os empresários e dirigentes passarem a utilizar os recursos que a auditoria coloca a sua disposição, mais perto estarão de impedir que falhas e/ou erros voluntários, e alguns involuntários, sejam cometidos na organização, bem como contribuirão para que manchetes sensacionalistas deixem de ser divulgadas pela imprensa, o que, de certa forma, acarreta prejuízos ainda maiores à empresa, pois compromete a sua imagem perante os clientes e fornecedores.
Crepaldi (2000) nos indica que a filosofia da auditoria consiste em avaliar a política de sistema da empresa, em termos da adequação, comunicação, aceitação, aplicação e controle, se é necessária na situação, se contribui para atingir os objetivos da empresa, se permite assegurar a correta utilização dos recursos da empresa, tanto de natureza financeira, econômica e humana.
No setor público, por exemplo, destaca-se a Secretaria dos Controles Internos, com um programa de avaliação das contas das estruturas públicas e das autarquias, que, a exemplo das empresas privadas, buscam através da atuação da Auditoria a melhoria dos serviços prestados à população. Longe está da função policialesca. É uma estrutura que visa auxiliar os gestores públicos a encontrarem o equilíbrio financeiro e administrativo dos órgãos sob sua administração.
Hoje, independentemente dos rigores e disposições da Lei de Responsabilidade Fiscal, um planejamento bem elaborado contempla a atuação de auditorias justamente para auxiliarem aos gestores públicos a terminarem seus mandatos de bem com o Tribunal de Contas do Estado ou da União, dependendo do caso.
Algumas empresas privadas, principalmente aquelas que recebem orientações normativas do Banco Central, como é o caso das Administradoras de Consórcio, viram-se compelidas a utilizarem os serviços da auditoria interna, própria ou terceirizada, para avaliarem seus procedimentos de trabalho e de gestão, de modo a eliminarem as “não conformidades” do resultado das análises procedidas por técnicos daquele órgão público.
Destacam-se, ainda, os serviços prestados pela auditoria no auxílio a tomada de decisões, nos casos de avaliações de empresas a serem incorporadas ao patrimônio ou mesmo nos processos de fusão, sem considerar as ações do dia-a-dia constantes de relatórios de avaliação da operacionalidade da empresa.
Encontramos, ainda, a efetiva atuação das auditorias quando organizações com os olhos num padrão de qualidade que as coloque em condições de igualdade ou de competitividade decidem pela implantação de normas da família ISO 9000, 14000, etc. Mais do que nunca se fazem presentes e necessários os serviços da auditoria, como avaliadora das ações e procedimentos de trabalho.
Fica, então, uma pergunta no ar: se a auditoria é uma excelente ferramenta de gestão para o administrador moderno, por que não é amplamente utilizada? É... provavelmente ainda seja necessário quebrar alguns paradigmas!

Mauricio Campos de Menezes

Diretor Presidente da AGMS – Auditoria, Consultoria e Capacitação Profissional