O mercado de Trabalho
Longe estamos de ter a solução
para os problemas que afligem as empresas na área de recursos humanos. Ainda não
foi possível encontrar a receita certa para eliminar uma situação que ocorre
todos os dias dentro das maiores e menores empresas, de norte a sul e de leste
a oeste do nosso País - a escassez da mão-de-obra qualificada.
Este fato não é novo e não é raro.
Pelo que se sabe há vários anos que as empresas convivem com esta situação e
muitos foram os programas de estímulo e incentivo a formação de mão-de-obra
qualificada levada a efeito pelo governo federal para suprir o mercado de profissionais
com alguma qualificação para atender as demandas cada vez mais exigentes das
empresas.
Nesta esteira, entidades como
SENAI, SESC, SEBRAE e outros grupos utilizaram e utilizam de recursos
disponibilizados através de convênios com entidades das diversas esferas do governo,
ofertando programas de toda ordem que tentavam e tentam contemplar as
indústrias, o comércio e as empresas prestadoras de serviços. Só nas 3 unidades
do complexo do Sistema “S” acima citadas, do Estado de São Paulo, mensalmente
são ofertados mais de 300 cursos. Porém, não se observa um aumento na oferta da
mão-de-obra com a qualificação deseja.
Aonde reside o problema? O que é
que realmente está acontecendo? Sem querer encontrar algozes desta situação,
onde está o gargalo? Estas e outras perguntas são formuladas a todo instante,
sem que se tenha uma resposta plausível. Dia após dia, profissionais são
colocados no mercado de trabalho, oriundos dos mais diversos cursos de ensino
superior, das escolas técnicas, dos inúmeros cursos técnicos e profissionalizantes
e dos cursos livres espelhados pelos estados. Mas por que é que as empresas
continuam com deficiência de mão-de-obra qualificada?
Num trabalho de busca conseguiu-se
identificar em artigos e em entrevistas dadas por empresários e técnicos da
área de recursos humanos para revistas e sites especializados, dois fatores que
podem nos dar uma dimensão próxima de qual seja o problema: o primeiro, diz
respeito à mudança do perfil profissional procurado pelas empresas. Foi-se o
tempo em que bastava que o empregado tivesse vigor físico para bem desenvolver
as atividades de uma profissão. O intelecto era importante, mas o empregado não
era exigido neste quesito. Os tempos mudaram e a evolução tecnológica foi
incorporada às atividades laborais. A força bruta cedeu espaço a um
profissional mais habilidoso e detentor de conhecimentos mais específicos. Nos
dias de hoje, com o avanço da alta tecnologia e dos modelos de gestão empregado
pelas empresas, o colaborador interno tem que possuir, além das habilidades
técnicas, visão empresarial e certo refino no trato e no relacionamento interpessoal, entre outros requisitos.
O segundo fator nos remete a outra
ponta do processo, a formação profissional. Existem casos em que os
profissionais não estão sendo preparados adequadamente para o exercício das novas
profissões. É comum vermos recém formados se candidatarem a cargos sem as
competências e/ou habilidades necessárias. Algumas escolas ou cursos não investem
nos quesitos que as empresas mais necessitam para a formação de um novo profissional.
Simplesmente constroem conteúdos atrativos para as necessidades de venda do
produto e de acordo com as suas conveniências de ganho. Não é raro encontrar
cursos com conteúdos que pouco ou nada acrescentam aos alunos. Cabe, neste
caso, ás empresas investirem naqueles profissionais que possuem alguma condição
de aproveitamento, detectado no processo de recrutamento e seleção.
Na prática, o que se tem é a
empresa tendo que qualificar o então candidato a
emprego, face à enorme distância entre o profissional que se diz pronto e que
chega a suas portas, e o desejado por ela para compor o seu quadro de colaboradores
internos.
Este cenário nos mostra uma outra
realidade dentro das empresas. Os bons profissionais ao invés de serem
valorizados e prestigiados, acabam assoberbados de trabalho e impedidos de
crescerem ou galgarem novos degraus, pelo fato de não terem substitutos à
altura. Neste caso perde a empresa, que não consegue oxigenar e premiar os bons
e competentes e perde o colaborador, que se julga injustiçado por se tornar um
multitarefa, sem que com isto possa ter ganhos
proporcionais às suas habilidades, competências e conhecimento. Daí, para a desmotivação e a falta de comprometimento é um passo. Mas
este é um assunto para outro artigo.
Qualquer semelhança com a sua empresa é mera
coincidência...
Mauricio Campos de
Menezes - Especialista, Tutor do Curso de Pós-Graduação
Autreliana Lopes T Nogueira, Graduada em Administração e aluna
do Curso de Pós-Graduação