AUDITORIA INTERNA: QUAL A SUA POSTURA EM UM AMBIENTE GLOBALIZADO E COMPETITIVO?
Muito se tem falado sobre o atual momento pelo qual passa a função do Auditor Interno nas organizações no Brasil.
É questionada a sua real necessidade nas empresas, como uma atividade que realmente "agregue valor" ao negócio, conseqüentemente trazendo rentabilidade e segurança sobre as operações aos acionistas.
É prudente destacar, a falsa interpretação do termo "agregar valor", pois muitos empresários têm em mente que a palavra "valor" está intrinsecamente ligada ao termo "financeiro", o que não é adequado, considerando que para entendermos o seu real significado, devemos extrapolar o "senso comum".
Agregar valor, é um somatório de interesses internos e externos que possibilitam um ganho, não necessariamente o monetário, que se bem aplicados corroboram para a gestão da empresa como um todo.
Todas as vezes que estamos realizando auditorias preventivas buscando corrigir eventuais distorções, propondo novos processos, melhorando a performance interna, o resultado poderá levar a um valor agregado, pois se não houvesse o monitoramento da auditoria interna sobre as transações, não-conformidades dos processos, poderiam levar a empresa a distorções operacionais significativas.
Outro ponto fundamental para a boa gestão dos trabalhos de auditoria interna, é a desmistificação entre os funcionários das empresas em que existe uma divisão de auditoria interna. Sobre a atuação e participação do Auditor é preciso ficar transparente que este profissional está ali para auxiliá-lo a desempenhar as suas tarefas dentro da filosofia da organização, e não como um dificultador que está presente apenas para apontar erros, afinal, ambos são parceiros em busca de um resultado comum.
Dentro deste aspecto, o perfil atual do Auditor Interno, e mesmo externo, não pode ser o mesmo de há dez ou vinte anos, onde era visto como uma pessoa metódica, desagradável, distanciada dos problemas futuros, apenas vivendo de trabalhos em cima de dados passados.
Nos tempos atuais, também o perfil do empresário que dispõe de um quadro de Auditores Internos deve ser outro, possibilitando a este profissional uma plena autonomia, apesar de ser um funcionário da organização com vínculo empregatício, confiando-lhe informações em primeira mão, não sendo necessário "apurar" determinados fatos após a sua ocorrência.
Se a postura da empresa for tradicional, não antecipando certas informações ao Auditor Interno, cabe a ele a transformação deste quadro, mostrando a sua disponibilidade em discutir as conseqüências futuras que determinada atitude pode vir a trazer a organização.
Apesar de tudo o que se fala, particularmente acredito que a auditoria interna vem se adequando às novas exigências de mercado, em um mundo globalizado, a bem da verdade, a passos muito tímidos.
Um dos fatores que contribui para que o processo de transformação seja moroso é que não existem grandes debates que contribuam significativamente no sentido de adequar o perfil necessário do Auditor Interno para o que o mercado competitivo e globalizado necessita.
O fato é que sobre este profissional vem sendo exigida uma série de conhecimentos diversificados para o bom desempenho das suas atividades. Atualmente o profissional ligado a esta área, além de conhecer profundamente sobre contabilidade, deve estar voltado para outras áreas, tendo um adequado domínio de técnicas de administração, qualidade total, marketing, organizações e métodos, planejamento estratégico, informática, relações humanas, fluência verbal e escrita, dentre outras.
Além dos conhecimentos acima destacados, o Auditor deve ser um componente ativo da engrenagem de gestão interna, fazendo com que suas observações coletadas nos trabalhos de campo, sejam úteis, e porque não dizer essenciais, na busca de um adequado gerenciamento de recursos.
A vasta abrangência de atuação que a auditoria interna propicia, deve levar o profissional desta área a ter uma visão sistêmica dos vários segmentos da organização, de modo que suas contribuições sejam oportunas na correção de eventuais problemas internos, como na tomada de decisões estratégicas por parte da alta administração.
A sua opinião e visão crítica dos processos, deve estar alicerçada em evidências que propiciem aos administradores a correta valoração das técnicas empregadas na gestão do negócio, onde a aceitação de mudanças de rumos por parte da administração poderá depender da forma de expressão oral e escrita do trabalho desenvolvido pelo Auditor.
A auditoria interna deve estar voltada para o moderno conceito de "auditoria integral", onde cada vez mais deve-se conhecer profundamente o objeto principal da organização para a qual trabalha, sem perder a visão dos concorrentes, atuando como um consultor de negócios.
Dentro desta filosofia, o Auditor Interno deve desempenhar sua atividade com visão holística e proativa, se antecipando aos fatos, de modo que a sua opinião seja de fundamental importância nos rumos das organizações.
A "auditoria integral", pressupõe um envolvimento total do Auditor com o objeto auditado, propiciando um aprofundamento nas metodologias internas de gestão, e não somente a preocupação do cumprimento adequado, por parte dos funcionários da empresa, das rotinas e procedimentos internos da organização.
Ao mesmo passo, o Auditor Interno deverá estar atento a novas tendências no mercado em que sua empresa atua, procurando participar de forma significativa no desenvolvimento de estratégias de atuação em um ambiente competitivo, com atitudes "visionárias", buscando novos resultados para a organização.
Enfim, o que deve ficar cristalino para os Auditores Internos, é que a sua participação na gestão operacional das organizações deve ir muito além de uma "fiscalização" sobre os processos, atuando em sintonia com o que o mercado solicita, com metas e estratégias bem definidas, que é fundamental para a sobrevivência empresarial.
Diante de tudo o que foi resumidamente apresentado, acredito de forma convicta na importância da auditoria interna nas organizações, adequada a sua postura uma nova realidade em um ambiente globalizado, contribuindo de forma significativa para a gestão eficaz dos negócios.
CONCLUSÃO:
Embora haja o questionamento da função
do auditor interno nas organizações, a sua atividade é muito
importante na gestão eficaz dos recursos, tanto financeiros,
como humanos e materiais.
Sua postura nas organizações deve ser de um
"agente visionário", com atitudes e idéias voltadas a
alavancar resultados, e não somente exercer atividades de
controles internos.
O profissional desta área deve estar
permanentemente atualizado, através de estudos contínuos,
adequando-se e adaptando-se às novas exigências do mercado em
um mundo cada vez mais globalizado e competitivo.
Cláudio Marcelo Rodrigues
Cordeiro
Contador sob o nº 33.205/Pr
Coordenador de Auditoria e O&M
da Editel Listas Telefônicas em Curitiba
Professor de Auditoria e Perícia
Contábil das Faculdades Santa Cruz em Curitiba